04/08/2020 08:27

AS COBRAS

Aristônio Canela

Já nem sei mais por quantas vezes proseei sobre acontecimentos estranhos, sentado no Boteco de Zezim de Dona Fia, comendo um tira gosto de lingüiça caipira e tomando uma loira gelada. É papo pra mais de metro, sem termo de terminações, “varador” de madrugadas. 

Noite dessas, me fez companhia figuras destacadas lambertenses como Seu Zé Pratinha, ainda atormentado pela paixão por Maria Trêis Peito, morena sacudida do time de Dona Xandoca, que resolveu abandonar o bucolismo do Vale e se enrabichar com um caminhoneiro sarará, para o desatino do meu amigo. 

Além dele, tive a honra da presença de Padre Mariano, “chegante” da comunidade de Candeios, com a língua seca feito a de Maritaca, camisa empapada de suor e barriga roncando, deixando-se levar pelo pecadilho de um copo de cerveja e sustança para o bucho. Conversa vai, conversa vem, deitamos falação sobre crenças. 

O termo representa aquilo que se pode querer, ter certeza ou na possibilidade do acontecimento. 

São formatações baseadas no que vemos ou que achamos ver, ouvimos ou sentimos na vivência de experiências variadas, com ou sem explicações plausíveis, propondo ao cérebro um sofisticado fortalecimento de registro para avaliações futuras, em que pode se viver outro fato igual ou semelhante. Vem do latim “Credentiam”, ato ou efeito de crer, acreditar, sem pendengas quanto a provas e definições científicas.

Em função dessa toada, surge um espaço perigoso propício a manipulações de espertinhos, ludibriadores de incautos, o que deve ser combatido tenazmente, para o bem do equilíbrio social. 

Existem ainda as chamadas crenças limitantes, verdadeiras desculpas dadas por nós mesmos para não fazermos o que de fato precisa ser feito, nos levando às zonas de conforto do conformismo, evitando confrontos íntimos e tantas vezes, prejudicando grandes realizações. 

É importante, nessa caminhada, não nos esquecermos de alongarmos limites nas avaliações próprias, propondo amplitudes nos conceitos, na cria de liberdades e respeitos pelas atitudes intra e inter pessoais. 

Há mais ou menos oito meses fiz uma compra considerada vultosa para meu padrão caipira, de seis vacas Girolandas, escolhidas a dedo por Wagner e Dú de Bia que, além de parirem bezerros boiadeiros de primeira qualidade, filhos do Nelorão Kauê, ainda me davam, cada uma, mais ou menos oito litros de leite todo dia, transformados em deliciosos queijos na pequena queijaria nomeada LULEI, comandada por Luizana e Leila.

 

Atendimento Online pelo WhatsApp