29/10/2020 04:39

OS ETERNOS

Aristônio Canela

Takiwa Kamã é uma região de características muito próprias e num manejo mágico dos deuses não aparece em nenhum mapa geográfico, rendendo-lhe o apelido de Kirhandê, o Fantasma, podendo mostrar-se somente para alguns, altamente selecionados, pelo chefe tribal em circunstâncias especiais. 

Dividida em três grandes partes, tem um formato elíptico, de terras diferentes entre si. 

As altas, no Norte, chamadas de Tukugia Mareathá, a Cabeça de Deus, são montanhosas, de cumes gelados, vales cortados por rios, relva sempre verde, caça abundantes de cabras selvagens e muita fartura de frutos na primavera e verão. O inverno é rigoroso e somente animais adaptados conseguem sobreviver. 

As do meio, Lianghitho Mareathá, o Coração de Deus, são imensas planícies e savanas por onde passam todos os anos, homens e animais, numa migração obrigatória de sobrevivência. É cortada pelo rio Ricthum Ôriama, o Menino Brincalhão, que se esconde em trechos por entre cavernas profundas e aparece em outros, com águas rasas na sua função primordial de dar “o de beber”. 

As do mar, Philiscáju Mareathá, Pernas e Braços de Deus, faz-se mais estreita ao sul, tem praias límpidas de areias brancas e pedregulhos redondos, uma grande bahia profunda e ardilosa que oferece atracagem à navios, exclusivamente aos verdadeiros conhecedores de suas armadilhas. 

Muito piscosa, é um grande armazém de algas comestíveis e nutritivas e tem no planalto bordejante, o lago Fraviolácio Dandhá, o Sorriso da Vida, fonte perene de água doce. 

Essas terras eram habitadas pelo povo Rhabiazã, Os Escolhidos, sem histórias de conquistas, guerras ou qualquer outro conflito, nos destaques das determinações de Mareathá, o deus de cabeça prateada, coração de luz, mãos, pernas e braços de aço e asas ruflantes, de barulho ensurdecedor que abriu seu ventre e depositou os primeiros casais para procriação e exploração do local, há mais de três mil anos, como bem contam os antigos. 

De poucas relações comerciais, uma pequena caravana, composta sempre por três casais, partia de dois em dois anos mar afora para compras essenciais como ferramentas de aço e ferro, item importante e único não fabricado por eles e pouquíssimos outros, como elementos de primeiros socorros e alguns mimos femininos.

 

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