23/01/2021 11:18

Reforma protestante: batalha campal

 HERMILDO RODRIGUES (*) 

A Reforma Protestante completará 503 anos, no próximo dia 31. Nessa data, Martinho Lutero, um monge da Ordem de Santo Agostinho, afixou em 1517, na porta da Igreja-Castelo de Wittenberg-Alemanha, as suas 95 teses contra a doutrina das indulgências. Nesse dia afluía numerosa multidão, era a festa de “Todos os Santos”, quando eram expostas ao público, relíquias em que se concedia perdão de pecados a todos os que então visitassem a igreja e se confessarem. Em um mês essas teses se difundiram pela Europa, graças entre outros fatores, à invenção naquele tempo da prensa tipográfica. Como se não bastassem as somas vultosas de muitas maneiras canalizadas para Roma, aquele vergonhoso tráfico (indulgências) tornava as populações da Europa muito pobres, tanto financeira, como moral e espiritualmente. A doutrina das indulgências parcial ou plenária, persistem até nos dias de hoje, embora não sejam mais vendidas, estão presentes no Código de Direito Canônico (Can-992) e no Catecismo da igreja romana. 

A resposta da Igreja à Reforma, ficou conhecida como CONTRA REFORMA, com a convocação em 1545, do Concílio de Trento (Itália). As principais medidas: criação do “Index Librorum” com uma relação dos livros proibidos; reafirmação da autoridade papal; adoção da “Vulgata Latina” como tradução oficial da Bíblia; e o revigoramento da Inquisição. Ao buscar a hegemonia da fé, a igreja de Roma através da “Inquisição“, sua arma mais letal, viveu os mais sangrentos episódios de intolerância religiosa da história. Os procedimentos empregados nos tribunais da Inquisição, choca a todos quando se estuda história, com passagens aterrorizantes e cruéis da idade média a idade moderna. Somente em Castela, na Espanha, na década de 1480, mais de 1.500 pessoas foram queimadas na estaca por falso testemunho e, a maioria delas, nem sabia por que estava sendo acusadas e levadas à morte. 

A Reforma Protestante não foi obra exclusiva de Lutero, e nem ficou restrita apenas à Alemanha. Em 1532 surgiu na Suíça um vigoroso movimento reformador liderado por Ulrico Zwinglio, que foi educado nas universidades de Viena e Basiléia. Sacerdote em Eimsiedeln, a exemplo de Lutero, pregou duramente contra a venda das indulgências por um emissário papal de nome Sanson, acabando com esse desmoralizante tráfico. Transferido para a catedral de Zurique em 1518, começou a pregar as verdades evangélicas, escrevendo livro publicado em 1522, no qual anunciava seu rompimento com o papado. Em 1º de outubro de 1529, mantém conferência com Lutero, surgindo entre ambos divergência quanto a doutrina da Ceia. 

Embora os protestantes fossem caçados na Europa como “hereges”, contudo, é na Suíça de Zwinglio que surge dois anos mais tarde em 11 de outubro de 1531, o conflito militar com os católicos. Esse conflito é pouco mencionado na história. Cinco Cantões ou estados da federação suíça, católicos, conseguiram apoio militar da Hungria e da Boêmia, passando a ter 7.000 soldados. Com essa força militar decidiram avançar contra o Cantão protestante de Zurique que tinha apenas 2.000 soldados. Numa sangrenta batalha campal os protestantes são derrotados. Entre os mortos, o reformador Zwinglio, que como capelão, estava socorrendo um moribundo naquele campo de batalha denominado de Kappel.

 

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