16/01/2021 11:39

O dragão dá sinal de vida

WAGNER GOMES (*) 

Pouca gente ainda se lembra daqueles planos malucos movidos por extremos como, a adoção de congelamento de preços ou o confisco da poupança dos brasileiros. Talvez por isso imaginem que as conquistas de uma política econômica recente sejam garantia suficiente de juros domados (com tendência a juro real negativo) e ínfima inflação. O mundo vive momentos difíceis e adota o protecionismo como uma das características da nova ordem emergente.

Nesse novo panorama, as ações refletirão acelerada intervenção dos governos na economia e vão consolidar o surgimento de uma nova potência como a China, que já ameaça roubar a hegemonia americana na economia. Outro fator de alta combustão consiste em delimitar a capacidade de crescimento dos países a partir de estímulos fiscais. O esgotamento da função provedora do estado em transferir ecursos à população de baixa renda, para enfrentamento do ambiente caótico gerado pelo desemprego, também contribui para esse quadro. 

Após os gastos com a Covid19, o déficit primário deve ultrapassar R$ 800 bilhões neste ano e a dívida pública superar 95% do PIB, contribuindo para agravar uma situação adversa. A população brasileira de renda mais baixa já enfrenta uma inflação acumulada nos últimos 12 meses na casa dos 3%, contra 1,7% nas faixas de renda alta. O Brasil sacou a descoberto para tentar minimizar o efeito devastador da Covid-19 sobre nossa economia. O câmbio desvalorizou, acentuadamente, nosso combalido real. 

A pressão política começa a provocar concessões e contribui para jogar mais lenha nessa fogueira capaz de alimentar as labaredas que se exalam pelas narinas do dragão. Um outro animal, representado pelo leão da Receita Federal, também começa a atuar, minando o poder de compra, já exíguo pela ausência de aumentos salariais e pela inexistência de correção das faixas de isenção do Imposto de Renda. 

O noticiário divulga balões de ensaio combinados com desabafos presidenciais. Isso coloca o mercado na defensiva, por sempre temer o retorno da malfadada CPMF. Aliás, ela está sempre em busca de uma melhor aparência para ficar mais vistosa e seduzir os governantes. Sem recursos para estimular o crescimento econômico, não seria ilusório presenciarmos uma expansão inflacionária com consistência suficiente para gerar aumentos sucessivos nas taxas Selic. A inflação pode voltar a nos rondar.

 

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