02/12/2020 01:00

A pandemia não acabou

PAULO CÉSAR DE OLIVEIRA (*) 

Quem assiste pela televisão, ou mesmo pelas redes sociais, as imagens de diversas cidades brasileiras - a nossa BH é uma delas - tem a impressão de que a pandemia do coronavírus está nos estertores. Mas não é esta a verdade. O vírus está aí, pronto para atacar os desavisados. O uso de máscaras é importante e a não aglomeração também. É o que a medicina sabe, mas como venho dizendo há algum tempo, ninguém sabe de nada. Na live Conexão Saúde e Bem Estar, realizada na última quinta-feira, o infectologista Adelino de Freitas disse ao entrevistador Gustavo César de Oliveira que hoje devemos ser mais de 200 milhões de infectologistas, opinando sobre a pandemia. Brincadeira à parte, cada um quer dar seu palpite. 

Na semana passada, a vacina foi politizada pelo presidente Bolsonaro, ao desdizer o seu correto ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a compra da vacina chinesa, só porque o governador de São Paulo, João Doria - que pode ser um candidato forte em 2022 - defende o produto desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com empresa chinesa. O Ministério da Saúde chegou a anunciar que iria comprar 46 milhões de doses quando aprovada pela Anvisa. A reação de Bolsonaro foi despropositada e num momento errado, se é que existe momento certo para destemperos políticos. Vivemos tempos difíceis e de incertezas. É, no mínimo, imprudente discutir sucessão. E Bolsonaro só está pensando e agindo pela reeleição. 

Enquanto isto, as brigas internas no governo vêm a público, provocando um desgaste político que provoca instabilidade política e assusta investidores. Depois de Rogério Marinho e Paulo Guedes se desentenderem, agora é a vez do ainda ministro Ricardo Salles - que não é bem visto no mercado – criticar, através da rede social, o ministro Ramos, um militar de quatro costados, que já deu mostras de liderança em seu meio e de capacidade de diálogo no meio civil. Em defesa do general, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, afirmou o que muitos pensam e se calam por conveniência: Salles acabou com o meio ambiente e agora quer acabar com o governo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também saiu em defesa do general Ramos. Mesmo com os avanços do governo na economia, onde predomina a mineração e o agronegócio, o presidente Bolsonaro tem que mostrar sua liderança política. E para isso não deve falar tanto. Quando fala muito, só atrapalha e tumultua. Neste momento, o silêncio vale ouro. É que em vinte dias, o País vai às urnas para escolher prefeitos e vereadores. E uma derrota acachapante do governo, como se desenha em algumas das mais importantes cidades, pode complicar a vida do presidente. Melhor calar. É menos “arriscoso”, como dizem em certas regiões do interior de Minas.

 

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