04/12/2020 05:47

EaD ou aula remota: ensino em tempos de pandemia

MARIA ENEIDA FANTIM (*) 

“(...) E o aluno não saiu para estudar 

Pois sabia o professor também não 'tava’ lá 

E o professor não saiu pra lecionar 

Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar 

No dia em que a Terra parou, oh oh oh oh (...)” 

Compositores: Claudio Roberto Andrade De Azeredo / Raul Seixas 

Excerto da Letra de O Dia Em Que a Terra Parou 

No início do ano letivo de 2020, as aulas foram suspensas nas escolas de educação básica de todo o Brasil em função da pandemia do novo coronavírus. Num instante, o que até então era apenas devaneio de poeta, parecia se tornar realidade. Passado o impacto inicial e percebido que a nova realidade poderia durar muito mais tempo do que o imaginado, buscaramse alternativas para a continuidade das aulas e para que, de alguma forma, as crianças não perdessem o ritmo dos estudos. 

A situação inusitada do isolamento social e o fechamento das escolas trouxe tensões diversas entre todos os sujeitos envolvidos com a educação básica. A urgência do calendário escolar fez com que as mantenedoras (secretarias de educação) vinculassem estudantes e professores a um sistema de aulas gravadas, com registros de presenças e de entrega de tarefas e notas, mesmo sabendo que nem todos tinham computadores, nem acesso à internet. Vivenciar o ensino e aprendizagem por meio de recursos tecnológicos sem ter os equipamentos necessários, sem preparo ou instrução clara sobre a operacionalidade do processo e, sem reflexão pedagógica sobre a nova realidade, repercutiu de forma dramática. 

Imediatamente, um sem número de problemas, críticas e desconfortos surgiram. Para os professores que sempre estiveram em sala de aula e, de uma hora para outra, tinham que ensinar por meio remoto o impacto foi maior. A pouca lida cotidiana com os recursos tecnológicos e as inconsistências do funcionamento do sistema geravam muito estresse o que resultou numa reação negativa imediata ao que se imaginava, naquele momento, se tratar de educação a distância. De outro lado, a sociedade em geral ficou também insatisfeita com a descontinuidade, a falta de organicidade e até alguns exageros propostos como tarefas e compromissos estudantis às crianças, também levando a críticas ao ensino a distância. Mas, afinal, o que começou a se configurar naquele momento pode ser chamado de educação a distância? A modalidade a distância é, tão somente a transposição das aulas presenciais para plataformas de comunicação a distância? 

 

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