30/11/2020 04:31

QUATRO ANOS DEPOIS: UMA CRÔNICA DE CAMPANHA

Glorinha Mameluque

Estamos em clima de eleições. Um tempo atípico, diferente de todos. Muitos apelos através das mídias e redes sociais. Mas apesar da diferença, as mesmas coisas se repetem: busca de votos, visitas restritas por causa da pandemia; as mesmas expectativas: dos novos, almejando um espaço nas Câmaras Municipais e os antigos que já ocupam esses lugares, querendo continuar no seu lugar. Uma das coisas que sempre achei errado, mas quem sou eu diante dessas leis absurdas, é que os mandatos em qualquer nível, seja vereador, deputado ou outro qualquer, não fossem repetidos por tantas vezes, tornando aquele cidadão um profissional da política. Poderia repetir somente umas duas vezes. 

Outra coisa inadmissível, mas vigente, é a não exigência de um mínimo de qualificação para o cidadão se candidatar. Para se ocupar qualquer cargo, por menor que seja, exigese seleção, concurso, habilitação. Para mim, é uma aberração, mas fazer o quê? É a lei: "Dura lex, sed lex", diria meu saudoso pai que foi vereador por várias vezes, quando vereador não tinha salário e era apenas a vocação para servir a comunidade, diferente de agora. 

Há quatro anos, estava eu em companhia de minha filha, tentando uma eleição. Por não ser muito diferente, vai aqui a crônica que fiz na ocasião e que repito agora: 

CRÔNICA DE CAMPANHA Encerramos uma campanha. Caminhada que fiz acompanhando minha filha candidata à vereadora por ruas e bairros da cidade. Um verdadeiro aprendizado e uma maravilhosa experiência. Campanha limpa, ética, na base da "saliva e sapato". Sem compra de votos, sem falsas promessas, na maior transparência. Os apelos eram muitos, mas os princípios arraigados e plantados em nossa família, conseguiu driblar todos eles. "Cadê as formiguinhas?" Nos cobravam. E eu respondia: "Formigonas, só da família mesmo." 

Muitas vezes surgiam perguntas: "Quantos tijolos você vai me dar?" E a resposta categórica e firme: "Nenhum. Porque não tenho e mesmo que tivesse, não daria..." Ou: "Promete asfaltar essa rua?" E a resposta: "Não é tarefa de vereador. Prometo, se eleita, trabalhar com dignidade, para o bem de vocês." Infelizmente ainda existe essa cultura de troca, de venda de voto. 

De manhã ou à tarde, sob o sol e calor, de segunda a domingo. Uma verdadeira campanha, no sentido literal da palavra. E ainda as inúmeras idas aos locais que a burocracia exigente e rígida exigia dos candidatos, isto é, daqueles que queriam fazer tudo dentro dos preceitos legais e das novas normas implantadas nesse ano eleitoral. 

De fato, foi um tempo de aprendizado. Ao visitar velhos amigos, companheiros de outras caminhadas, era muito gratificante ver a alegria ao nos receberem em suas casas, um reencontro agradável. Ao abordarmos pessoas, na maior parte conhecidas, já íamos fazendo a leitura, de acordo com a reação ou a expressão facial. "Esse vai votar..." "Esse não quer saber de votar em ninguém..." "Esse está indeciso ainda..." e assim por diante. 

Deu para perceber claramente como as pessoas estão descrentes com os políticos e a política. Fato que foi confirmado com o grande índice de votos nulos. 

Foi oportunidade ainda de presenciar a educação de alguns, a falta de educação de outros, o acolhimento de uns, o descaso de uns poucos. Mas o carisma e a determinação de minha filha falaram mais alto e venceram o cansaço e as dificuldades. 

Valeu a pena? Claro que valeu! Estamos até mesmo com saudades. Valeu a união, valeu a solidariedade, valeram as mensagens de apoio e estímulo, valeram até mesmo as decepções para reconhecermos os verdadeiros amigos e só resta ao final da caminhada, e como dizia meu marido nos últimos comícios (prefeito por duas vezes da cidade de São Francisco), no "apagar das luzes" da campanha, agradecer aqueles que apoiaram, que abriram suas casas, que confiaram e votaram, outros que espontaneamente nos procuraram pedindo material de propaganda, que nos ligaram oferecendo apoio, numa prova evidente de que ainda temos muitos amigos.

 

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