30/11/2020 04:15

Briga de cachorrinhas

Frida e Pagu são duas cachorrinhas amigas e a presença de uma dá equilíbrio à outra. Não se sentem sós porque, além de haver alguém em casa, elas se consolam. Dormem e acordam juntas e tudo o que uma faz, instintivo ou por invenção, a outra imita ou recria, com seu estilo. As dimensões e ferocidade gigantescas de uma, Pagu, e a pequenez e estilo lady da outra, Frida, não impedem que brinquem. Ronronam, e tudo sugere um idílio amoroso. Entram juntas no cio, comem e dormem juntas. Quando uma late a outra repete a ação. Fazem isso longamente, me deixando exasperada, com vontade de desligar a tomada. 

Depois de cheirar - faros finos, o que mais gostam é de olhar a rua e latir os passantes, mas, em especial, os cachorros no começo e fim do dia. Os dois portões são vazados, havendo visão panorâmica do exterior. Desde o início da pandemia, a rua está silenciosa. Antes, era um vai e vem, mas, quase tudo parou. Caso um portão se abra ou uma moto venha com encomendas, desencadeia uma torrente de latidos. 

Já aconteceu de Pagu tomar a comida de Frida, em especial a carne, colocada sobre o arroz, no almoço, quando estava mais esfomeada. Tudo é insuficiente para ela. Frida sabe se defender e entra com garra na defesa do que é seu. Mas a outra, cinco vezes maior e mais pesada, exerce domínio pela força. É preciso que Fernando sirva os dois pratos e fale: "respeita Frida!", e fica olhando. Já aconteceu de não conseguirmos segurar a investida de Pagu. Invenções de Pagu que Frida imita: mordiscar o pescoço da outra, lamber o dono, higienizar a genitália, brincar com o biscoito, latir o que passa. 

Invenções de Frida que Pagu imita: deitar e comer o biscoito segurando com as patas dianteiras, buscar a bolinha, lamber as patas, latir nosso carro que chega. Quando uma sai, a outra chora e uiva, copiosamente. 

Fernando é observador. Com sua peculiar desatenção, de vez em quando fala: Frida e Pagu estão de mal. Desde cedo, não se olham. E eu: descobriu o motivo? E ele conta o que aconteceu. Já passaram mais de um dia longe uma da outra. 

Agora foi sério. Em quatro dias, Frida e Pagu se engalfinharam de forma grave e perigosa, várias vezes. Frida e seus 5,5 kg (com a pandemia, engordou mais um quilo e meio), não é nenhuma santinha. Provoca e inicia a briga, corajosamente, como se pudesse vencê-la. Algumas vezes, Pagu e seus tradicionais 25 kg, recua, mas geralmente passa por cima, imobiliza Frida, neutralizando-a com seu imenso corpo. Quando é Frida quem provoca, Fernando diz: Frida, você não deve começar o que não pode terminar .

Foram vários episódios de estranhamentos por agora, sendo o pior, sábado de manhã. Estávamos, Fernando e eu varrendo o jardim e nos preparando para lavar a varanda, quando passou um pitbull levado pela guia. Pagu correu furiosa e quase arrebenta os portões, latindo ferozmente. Corria do portão pequeno ao grande, rosnando ameaçadora. Frida latiu de longe, na varanda, porque, como está gorda, perdeu a agilidade. Fernando coletava folhas, agachado perto da pequena. Pagu, não sabemos o motivo daquela hora, partiu para cima de Frida, como se disputasse algo. Fernando berrou firme, mandando-as parar, mas a briga era feroz, e não se moveram. Frida encarou, mas foi imobilizada pelo corpo e pernas da outra. Estava em perigo e poderia ser gravemente ferida. Apavorada, com a vassoura na mão, sacudi o objeto, bradei e mais ameacei do que bati, porém toquei com ela nos quartos de Pagu, que não gritou, e acabou se afastando. Sem isso, Pagu teria machucado Frida. Tiveram outros inícios de luta. Tudo começou com a retomada das suas caminhadas. Primeiro uma e depois a outra. Não dá para levar as duas juntas. Não sabemos como resolver essa disputa.

 

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