27/09/2021 04:47

A LIRA DA AGONIA

Aristônio Canela

Vejo-me, a bem de verdades, sucumbido aos meus pensamentos tão cortantes, dolorosos, compostos de pura impiedade, levando-me a desesperada conclusão de “um nada flutuante”, ao sabor de ventos orquestrados por Eolos, definitivamente às ordens de um comando intangível, inexplicável, caótico, rezador de cartilha mutante para dar vazão as individualidades, permitindo uma sensação de poder absolutamente falso.

Não me canso de ver no burburinho do dia a dia, a luta inglória de indivíduos tentando fazer os próprios destinos, fiéis as suas convicções, sendo abocanhados por uma força descomunal, desconstruídos sem o menor respeito ou pudor. Aliás, esse rodamoinho não conhece apelos e demonstra a cada instante o quanto somos frágeis diante de seu poder. 

O significado de inquietude vira poeira quando o desespero avassala na busca de respostas de uma natureza cíclica no seu andar eterno a desnudar-se humildemente diante da humanidade completamente cega com o córtex cerebral ávido de conhecimento e descobertas. 

Quanto mais conexões neurais mais capacidade de perguntas e, na via direta de conseqüência dificuldades de respostas coerentes, nascendo dessa forma, um mundo feito na sopa de “achismos”, de teorias mirabolantes, de deduções tantas voltadas a umbigos próprios, sem levar em consideração os chamamentos da ética e moral, mas que, no entanto, precisam ser avaliadas nessa panela de pressão onde a predominância são as incertezas, ficando claro o adágio dos antigos: “QUANTO MAIS SE FALA MENOS SE SABE”. 

De quando em quando aparece uma luz miúda alumiando a escuridão das almas para rapidamente se transformar, por não ser entendida, em mistério, nos deixando em situação de angustiante antagonismo, na investigação ou fuga, movida claramente pela capacidade emotiva de cada um de nós. 

Há ainda o emprego do termo nas bocas populares entendendo ser tudo aquilo sem solução ou que deve permanecer além do conhecimento humano, no conformismo de leis impostas, esbanjadas pelas religiões, assegurando posições estáveis aos comandantes, chamados “iniciados”, portadores de segredos invioláveis, sustentando histórias propagadas com insistência meticulosamente calculada na sociedade, cada vez mais carente de regras.

 

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