22/10/2021 07:23

Auxílio emergencial municipal

HÉLIO MACHADO (*) Com ares de metrópole, Montes Claros, em franco desenvolvimento e recebendo novos investimentos em época de pandemia, também enfrenta problemas sociais, que precisam de atenção especial, de olhar diferenciado da administração municipal. O fato de ser o segundo entroncamento rodoviário do País, com população flutuante crescente, tem pontos positivos e negativos. Contribui para atrair novas empresas, pela facilidade para escoar a produção para os centros consumidores, mas permite também a vinda de pessoas de todas as regiões, em busca de melhores condições de vida, mas nem sempre as encontra, e acabam aumentando o contingente dos que vivem até abaixo da linha da pobreza, nas ruas, sem o básico e indispensável para se sustentar. Não é novidade dizer que os problemas sociais aumentam no País, decorrentes da pandemia do novo coronavírus e nossa cidade não foge à dura realidade que se nos apresenta no cotidiano. Por conta disso, é necessário que a gestão municipal tenha olhar diferenciado à questão social, e a veja com mais humanidade e ponha em prática, o quanto antes, ações capazes de minimizar o sofrimento destas pessoas. Uma das alternativas é criar o auxílio emergencial muniDNA cipal, com o pagamento de R$ 600 em seis parcelas de R$ 100 às famílias cadastradas em programas do governo federal como o Bolsa Família, maior programa de transferência de renda da América Latina, que passará a se chamar Auxílio Brasil, para acabar com o do PT. A necessidade de a Prefeitura elaborar este programa social será maior ainda, a partir de outubro, em que o auxílio emergencial federal será encerrado, após mais de um ano de vigência, em que contribuiu de forma significativa para garantir a sobrevivência de milhares de famílias no Brasil. Ao longo do tempo, desde a chegada do novo coronavírus em terras brasileiras, que prefeituras de todo o País recorrem a este expediente, conscientes de que é seu dever estender a mão às famílias em situação de vulnerabilidade social, que infelizmente ainda vivem abaixo da linha da pobreza, num país em que a desigualdade social é abismal, em que há concentração de renda nas mãos de uma minoria, enquanto a grande maioria sobrevive com salário mínimo e outra parte não tem sequer o mínimo necessário para se alimentar. Desde o início da pandemia que não se vê a Prefeitura se preocupar em socorrer as famílias mais necessitadas. Limitou-se neste período a lançar campanha de arrecadação de cestas básicas junto à população para entregar a estas famílias, mas não usou recursos públicos para esta finalidade, para matar a fome dos vulneráveis. A opção, mais cômoda, foi transferir responsabilidade à sociedade civil, que tem feito sua parte, sensível à questão e ajudado estas famílias com a distribuição de alimentos. Campanhas nesta direção têm sido desenvolvidas na cidade com absoluto sucesso. Contudo, não se vê este interesse e vontade política da atual gestão, em matar a fome dos mais necessitados. Se a administração municipal vai bem neste início de segundo mandato quando se trata de obras físicas, de grande importância para a melhoria da qualidade de vida da população, o mesmo não se pode dizer em relação ao social. O setor, com raras exceções, não funciona bem desde o primeiro mandato de Humberto Souto, sem dar resposta mais concreta à população diante de uma série de demandas. As obras sociais são tão ou até mais relevantes do que as obras físicas. A diferença, no entanto, é que as obras físicas são mais visíveis, com forte apelo eleitoral e rende capital político nas urnas. A prova disso foi à reeleição do prefeito com mais de 85% dos votos válidos.

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