29/11/2021 10:46

COMENTÁRIOS BENEDITO SAID

LETRA - Foi proposto no Conselho Universitário da Unimontes o título de Doutor Honoris Causa ao escritor Petrônio Braz. Autor de vários livros, sendo o carro-chefe da história de Antônio Dó, lenda da beira do rio São Francisco, Petrônio merece honrarias. Raça em extinção. LETRAS - Há alguns anos, por qualquer motivação fruto da belicosidade humana em tempos de ojeriza que se opõe à compreensão, negaram título de Doutor Honoris Causa ao grande norte-mineiro Luiz de Paula Ferreira. O reitor João Canela fez consulta aos pares e percebeu animosidade típica de bolsonarista contra lulistas ou de elite contra os endividados. Evitou viés contraditório difícil de entender. Morreu a proposta no nascedouro, bem antes da votação arriscada. Ninguém pede homenagem seja lá onde for. A homenagem é natural aos dignos de láureas. Ave, Luiz de Paula Ferreira. HISTÓRIA - Luiz de Paula Ferreira foi e é um grande homem. Nascido em Várzea da Palma, formado nos números contábeis e administrativos, construiu, ao lado de José de Alencar, a Coteminas, indústria em que atuou como diretor e idealizador, junto com a esposa, Isabel de Paula, o ensino superior em Montes Claros. Foi na década de 1960 que a hoje Universidade Estadual de Montes Claros nasceu, com reuniões no Colégio Imaculada Conceição, onde começaram as primeiras turmas. Tudo era difícil naquela época, até na crença de que aquilo poderia dar certo. Luiz de Paula foi deputado, defensor das causas públicas, poeta e contador de causos, ao grande estilo da mineiridade. GOSTO - Aliás, discussões insípidas pululam entre os personagens de agora. A palavra ajuda na origem. Insípido deriva do latim “insipidus,a,um”, insosso, desenxabido, a que falta interesse particular ou graça; marcado pela repetição; aborrecido, monótono. Daí vem “sem graça; desprovido de atrativos; enfadonho; monótono”. Recentemente, um professor deixou de mandar um trabalho para uma revista literária-cientifica alegando que um dos editores da dita cuja era bolsonarista. Aí já se viu alguma pendenga mais sem gosto ou sem tempero intelectual do que isso. COR - Tanto assim que alguns querem cancelar Machado de Assis e Monteiro Lobato, lendo os autores conforme o sem-gosto da atualidade, sem se ater ao momento histórico em que as obras foram construídas e o que elas trazem para a formação humana, melhorando raças e pessoas. Coitada de Tia Anastácia e Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Pedrinho e Emília. Coitado de Brás Cubas. ÁCIDO - O crítico Peter Bradshaw leu “Eis Os Delírios do Mundo Conectado”, que versa sobre o universo digital e intelectual de hoje, e definiu: “o novo mundo da interconectividade digital é uma segunda revolução industrial feita sem a poluição da primeira- mas que poder ter criado moinhos sombrios e satânicos na mente. (...) O anonimato é a grande força obscura da web (...). Ela liberou enormes reservas de energia criativa, revolucionou a comunicação, democratizou os meios de publicar, possibilitou incríveis feitos, fontes coletivas de conhecimento e análises deslumbrantemente rápidas. Mas também legitimou o ódio e o abuso, criou um narcisismo venenoso e viciante (...) São as coisas ruins que parecem fazer a energia de Herzog pulsar.”

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