09/08/2022 09:04

O sertão que já foi sertão

PETRÔNIO BRAZ (*) 

Uma forma de aprendizagem, individualizada e que se pode obter no silêncio do escritório, ou da residência, nas horas mortas da noite ou nos momentos de descanso do trabalho fatigante de todos os dias, é navegar pela internet. Isso sem falar na leitura de um bom livro, que é a melhor forma de se adquirir cultura. 

Navegando despretensiosamente por uma página da velha e sempre nova filosofia grega, destacou-se na tela do computador a informação de que “alguns dos grandes pensadores do mundo antigo surgiram na Grécia, principalmente em Atenas. A Filosofia ou “amor à sabe¬doria” era a forma deles buscarem a verdade e a realidade no mundo, sem se apoiarem nas respostas dadas pela religião ou o mito. Sócrates (469-399 a.C.) foi um dos pensadores mais influentes do mundo ocidental. Seu trabalho se centrou no estudo da ética e da moral. Sócrates acreditava que a felicidade dependia de levar uma vida baseada na moral e que ela podia ser ensinada. Ele ainda pensou que se a virtude é conhecimento, então a maldade é ignorância, e por isso não é intencional. Sua obra causou um efeito profundo no seu aluno Platão (427- 347 a.C.), que estudou a questão da ética com mais profundidade posteriormente. Em sua obra-prima: ‘A República’ (385-370 a.C.), Platão questiona o conceito de justiça e descreve o seu governo ideal. A maior contribuição feita por Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, foi a de ser o primeiro filósofo que verdadeiramente separou a filosofia da ciência. Ele inventou o primeiro sistema de lógica, estabeleceu as ciências da biologia e zoologia, fundou a sua própria universidade e esteve entre os primeiros cientistas políticos. Como pensador, as contribuições de Aristóteles foram únicas e sem paralelos até o século XIX”. 

Nós outros, materialistas ou espiritualistas deste sofrido sertão dos Gerais, sem tempo para pensarmos em outra coisa que não na insegurança das ruas, na corrupção governamental, na anarquia administrativa, no despreparo de nossos governantes ou no sistema ultrapassado de educação, que confirma existirem analfabetos entre os alunos do ensino fundamental, ficamos a ver navios. 

Integrantes territorialmente de um dos maiores e mais ricos países do mundo, mas que tem uma das menores rendas “per capita”, nós norte-mineiros não nos damos conta nem mesmo de analisar uma das maiores mentiras históricas deste grande País: a República, com suas ilusões de igualdade, de garantias de direitos sociais, de liberdade individual, de liberdade de manifestação, de respeito aos bens públicos, sem a ética e a moral de Sócrates, sem os conceitos de um governo ideal de Platão, e sem a lógica de Aristóteles. República que prometeu e ainda continua a prometer, passados mais de cem anos, construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais, e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Promessas aceitas e absorvidas no curso de mais de cem anos, sempre prorro¬gadas para o amanhã, para um futuro que nunca chega. 

Vivemos, hoje, em um pedaço agreste de chão, que não é mais o “sertão que não tem fronteiras” que foi devastado, com licença governamental, para a implantação de florestas artificiais de eucalipto e de outras essências exógenas, que eliminaram as suas nascentes de antigas águas cristalinas, e destruíram a sua flora e a sua fauna nativas; em um pedaço de terra de rios poluídos, de população empobrecida, sem direitos e sem voz. 

Assim, podemos até dizer que é petulância falar em filosofia grega em uma terra de desemprego e até de fome. Mas os gregos também padeciam de necessidades crônicas e foi por meio da perquirição do porquê de todas as coisas que promoveram a sua evolução naqueles tempos históricos. 

O sertanejo precisa parar e perguntar: Por quê?

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